15 de outubro — Dia Internacional de Conscientização sobre a Perda Gestacional e Neonatal

Há perdas que transformam profundamente uma vida, mesmo quando o mundo ao redor parece continuar seguindo normalmente.
A perda gestacional e neonatal é uma dessas experiências: interrompe sonhos, expectativas e planos construídos durante a espera por um filho, deixando marcas que merecem ser acolhidas e respeitadas.
Neste 15 de outubro, a Associação Brasileira de Enfermagem Obstétrica e Neonatal (ABENFO) convida à reflexão sobre a importância de dar visibilidade ao luto parental, combater o silêncio que frequentemente envolve essas perdas e fortalecer uma assistência em saúde pautada na empatia, na dignidade e na humanização.
Os números reforçam a importância de ampliar o cuidado materno e neonatal no Brasil.
De acordo com dados preliminares do Ministério da Saúde, o país registrou 20.162 óbitos neonatais em 2025, correspondentes às mortes de recém-nascidos durante os primeiros 27 dias completos de vida.
Cada número representa uma história, uma família e uma experiência de luto. Embora os indicadores de mortalidade neonatal sejam fundamentais para orientar políticas públicas e aprimorar a assistência, também precisamos olhar para as necessidades emocionais e sociais das famílias que enfrentam essas perdas.
A assistência à perda gestacional e neonatal exige muito mais do que procedimentos técnicos. É necessário reconhecer a singularidade de cada família, respeitar suas escolhas, oferecer informações claras e permitir que sentimentos como tristeza, incredulidade, culpa e saudade sejam expressos sem julgamentos.
É igualmente importante que as instituições de saúde ofereçam condições adequadas para o cuidado, protocolos de assistência humanizada e suporte aos profissionais que acompanham essas situações, reconhecendo também o impacto emocional que essas experiências podem produzir nas equipes.
Humanizar o cuidado é compreender que, diante da perda, não existem palavras capazes de eliminar a dor, mas existem atitudes capazes de evitar que alguém precise enfrentá-la sem amparo.
Às mães, aos pais e a todas as famílias que vivenciaram uma perda, nossa mensagem é de respeito e solidariedade.
Não existe um prazo para o luto, uma maneira única de sentir ou uma obrigação de superar rapidamente a ausência. Cada história tem seu tempo, e cada vínculo merece ser reconhecido, independentemente do tempo de gestação ou de vida compartilhado.
Neste 15 de outubro, a ABENFO reafirma a importância da assistência obstétrica e neonatal humanizada, do respeito ao luto parental e da qualificação permanente dos profissionais de saúde.
Dar visibilidade à perda gestacional e neonatal também significa fortalecer ações de prevenção, promover a segurança da assistência, apoiar as famílias e defender políticas públicas que garantam cuidado digno antes, durante e depois da perda.
Porque toda família merece ser acolhida. Toda história merece respeito. E todo luto merece cuidado.
Associação Brasileira de Enfermagem Obstétrica e Neonatal — ABENFO